O Projeto Gerir reuniu, na terça-feira (4), lideranças e representantes do setor energético para discutir os desafios e as oportunidades relacionados às energias renováveis, alternativas e à segurança energética.
Entre os participantes esteve Mara Schwengber, CEO da Solled Energia e coordenadora estadual da Absolar, que destacou o avanço das soluções de armazenamento de energia e a importância de tornar o consumo energético mais previsível para as empresas. O encontro também abordou temas como gás natural, biometano e Mercado Livre de Energia.
Durante sua participação, Mara destacou que o armazenamento de energia, especialmente por meio de sistemas BESS (Battery Energy Storage System), pode assumir diferentes funções dentro da estratégia energética de uma empresa. Segundo ela, a tecnologia pode atuar como um complemento à geração e ao consumo, ajudando a equilibrar cargas e a melhorar a gestão da energia.
“Quando a gente olha para a bateria, a gente enxerga previsibilidade financeira.”
Para a executiva, essa previsibilidade é cada vez mais importante em um cenário no qual os preços da energia podem sofrer variações. No Mercado Livre de Energia, por exemplo, fatores como disponibilidade hídrica e condições de geração podem influenciar os preços. A possibilidade de armazenar energia amplia as alternativas de gestão e permite que as empresas tenham maior controle sobre quando e como utilizar essa energia.
BESS amplia as possibilidades de gestão da energia
Mara comparou o sistema de armazenamento a um “canivete suíço” justamente pela variedade de aplicações que pode assumir. Dependendo da configuração do projeto, a bateria pode contribuir para diferentes estratégias de gestão energética.
Entre os benefícios destacados durante o encontro estão maior competitividade, segurança operacional, redução de custos e previsibilidade.
Essa combinação ganha ainda mais importância para empresas que possuem uma operação com variações significativas de consumo. Nesses casos, a integração entre geração, armazenamento e consumo pode ajudar a adequar a oferta de energia às necessidades reais da operação.
O cenário regulatório também começa a avançar. Em 2 de junho de 2026, a ANEEL aprovou a Resolução Normativa nº 1.161/2026, que estabelece requisitos e procedimentos para a autorização de sistemas de armazenamento de energia elétrica. No mesmo dia, a agência também regulamentou a inclusão de sistemas de armazenamento em centrais geradoras por meio da Resolução Normativa nº 1.162/2026.

Geração próxima ao consumo pode reduzir perdas
Outro ponto destacado por Mara foi a importância de aproximar a geração de energia do local onde ela é consumida.
Durante a apresentação, ela trouxe como exemplo um produtor de maçãs que está no Mercado Livre de Energia, possui geração própria e apresenta uma demanda maior de energia durante determinado período da safra. Nesse cenário, o armazenamento aparece como uma possibilidade para lidar com a diferença entre os momentos de geração e de maior consumo.
A estratégia também pode contribuir para reduzir perdas associadas ao transporte da energia pela rede. Ao gerar e utilizar energia mais próximo da carga, a empresa pode aumentar sua autonomia e diminuir sua dependência de fatores externos.
De acordo com a gestora, essa combinação também favorece a criação de microgrids, aumentando a resiliência da operação diante de situações que possam comprometer o fornecimento convencional.

Segurança energética passa a fazer parte da estratégia empresarial
Um dos momentos de maior destaque da fala foi quando Mara relacionou a gestão da energia aos eventos climáticos extremos.
Enchentes, terremotos e outros eventos que afetam a infraestrutura podem interromper o fornecimento de energia e provocar impactos importantes para empresas que dependem exclusivamente da rede elétrica.
“Quanto custa a hora parada da sua empresa?”, questionou a executiva durante o debate.
A pergunta resume uma mudança importante na forma de pensar a energia. Mais do que buscar apenas uma tarifa menor, empresas precisam avaliar quanto custa uma interrupção, qual é o nível de dependência da rede e quais alternativas existem para manter operações essenciais funcionando.
Nesse contexto, geração própria, armazenamento e microgrids podem fazer parte de uma estratégia de maior resiliência energética.

O futuro da energia será cada vez mais integrado
A participação da Solled no debate reforçou uma visão de que as empresas precisam deixar de enxergar suas decisões energéticas de forma isolada.
Energia solar, armazenamento, Mercado Livre de Energia, mobilidade elétrica, gestão e monitoramento de usinas, operação e manutenção fazem parte de um ecossistema que pode ser combinado de acordo com as necessidades de cada operação.
Para Mara, a discussão vai além da escolha de uma tecnologia. Trata-se de entender a energia como um componente estratégico do negócio, capaz de influenciar custos, competitividade, continuidade operacional e planejamento financeiro.
E a reflexão deixada pela executiva resume esse novo cenário:
“No futuro, empresas não serão avaliadas apenas pelo que produzem. Serão avaliadas pela forma como administram a sua energia.”
Outros temas debatidos no evento
Além da apresentação de Mara Schwengber, o evento também contou com discussões sobre diferentes aspectos relacionados à segurança e à transição energética, reunindo perspectivas sobre temas como gás natural, biometano e Mercado Livre de Energia.
As diferentes abordagens contribuíram para ampliar o debate sobre os desafios e as oportunidades que estão surgindo no setor energético. Para conferir a discussão completa e acompanhar a participação de Mara, além dos demais conteúdos apresentados durante o evento, assista ao vídeo na íntegra abaixo.
